quarta-feira, 20 de outubro de 2010

LÍDERES QUE VIOLENTAM O POVO. Parte 2



INTRODUÇÃO:

Estes sermões são todos motivados pelo conceito errado e realmente perverso de que aqueles que servem ao Senhor nas funções de pastor, presbítero, missionário, evangelista, apóstolo ou profeta etc, são realmente “servos especiais” que pertencem a uma categoria que é distinta de todos os outros crentes.
Existe realmente uma unção que é maior, melhor, mais poderosa do que a unção com que o próprio Deus ungiu a todos os crentes no Senhor Jesus Cristo?

I. Os Abusadores

Abuso espiritual, pode parecer estranho, é um estado de coisas amplamente denunciado nas páginas das nossas Bíblias. No passado, durante os dias do Antigo Testamento, Deus levantou inúmeros profetas para denunciarem este tipo de perversidade. No Novo Testamento, o próprio Senhor Jesus tomou uma boa porção do Seu ministério para denunciar e confrontar aqueles que abusam espiritualmente de outras pessoas.

II. O Profeta Ezequiel

A passagem de Ezequiel 34:1/6 é certamente a que melhor descreve, no Antigo Testamento, o assunto que é objeto deste artigo, a saber: Abuso Espiritual.

1-E VEIO a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2-Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza, e dize aos pastores: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas?
3-Comeis a gordura, e vos vestis da lã; degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas.
4-A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza.
5-Assim se espalharam, por não haver pastor, e ficaram para pasto de todas as feras do campo, porquanto se espalharam.
6-As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes, e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem as procure, nem quem {as} busque.

Nesta passagem nós encontramos a palavra do Senhor vindo até o profeta Ezequiel lhe ordenando que profetize contra os pastores de Israel. Por esta expressão, como fica evidente pelo contexto, devemos entender que o profeta não está se referido literalmente a pastores de ovelhas, e sim a todos os líderes da nação de Israel. Ele dirige suas palavras aos magistrados e aos príncipes, aos levitas e aos sacerdotes i.e. a todos aqueles que tinham a responsabilidade de cuidar do povo de Deus. De zelar sobre o povo de Deus, de protegê-lo e de não explorá-lo.

Através do profeta Ezequiel é o próprio Deus quem tem algo a dizer a estes líderes. E Deus fala de uma posição privilegiada já que Ele mesmo é reconhecido como o pastor por excelência sobre seu rebanho.

Pastores, como líderes, gostam de pensar de si mesmo como pessoas diferenciadas, acima das outras pessoas. Gostam de se ver como sendo “especiais”, como super-crentes. Apesar de gostarem de se ver desta maneira, Deus não está nem por um segundo interessado em participar no jogo deles.

Pastores, como diz o apóstolo Pedro, não passam de cooperadores submetidos ao Senhor Jesus que é chamado de Supremo pastor – I Pe.5.4. Ezequiel, falando em nome do Deus-Pastor de Israel, confronta os pastores dos seus dias de várias maneiras.
1. Em primeiro lugar existe a pergunta mais básica que precisa ser respondida e que é: por que existem pastores? A resposta nos vem através de uma pergunta feita pelo profeta: Não apascentarão os pastores as ovelhas? Pastores existem, primariamente, para apascentar as ovelhas. Para cuidar das ovelhas. E devem executar estas funções sem condenar e sem brutalizar as ovelhas.

Usando uma linguagem bastante direta, o profeta acusa os pastores de estarem cuidando de si mesmos em vez de estarem cuidando das ovelhas. : Ai dos pastores que se apascentam a si mesmos. Ez. 34:2

O interesse daqueles pastores estava muito mais nos benefícios materiais que poderiam receber das ovelhas – carne, gordura, lã - do que nos benefícios espirituais que poderiam e deveriam repartir no cuidado do rebanho. Para Ezequiel, o interesse daqueles pastores não estava centrado no chamado de Deus e no pastoreio e sim no poder e no controle que exerciam sobre as ovelhas.

2. Em segundo lugar existe a triste constatação de que os pastores estavam negligenciando por completo suas responsabilidades, mesmo as mais básicas. O profeta diz: A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes. Ez. 34:4
O despreparo dos pastores é notório e a preguiça de muitos deles também. O pastorado só é interessante quando se pode conseguir algo em troca, o resto é realmente irrelevante. Pensam e agem assim porque sabem que o povo os tem em alta estima e ninguém vai realmente querer peitar o “ungido do Senhor”.

3. O resultado direto deste descaso e ignorância não demora a ser sentido. Ovelhas sem cuidados pastorais e maltratadas tendem a se espalhar, por não haver pastor, e acabam por tornar-se pasto para todas as feras do campo. Ovelhas abusadas só conseguem resistir até certo ponto. Algumas chegam mesmo a morrer dentro do próprio redil na comunidade local que chamamos de igreja.
Não podemos ignorar que estes pastores, não desistem de seus atos de abuso, mesmo quando as ovelhas saem dos seus redis. Quando encontram resistência por parte da ovelha que saiu, a atitude dos abusadores são Falsas acusações de insubordinação, de insubmissão e falta de obediência a Deus.

Visando intimidar a “ovelha desgarrada”, estes partem para os mais baixos tipos de manipulação que incluem: dizer que a “ovelha desgarrada” nunca foi verdadeiramente crente, ou pior, dizer que a “ovelha desgarrada” vai direto para o inferno.
A verdade que muitas vezes resistimos em reconhecer, que estes não possuem chamado, não se submetem ao Senhorio de Jesus e não se dispõe ser aquilo que devem ser servos, a serviço do povo de Deus. Muitos hoje estão no ministério apenas por interesses financeiros e comerciais. Como “ser pastor” se tornou em apenas mais uma profissão, este fará de tudo que estiver ao seu alcance para não perder sua “boquinha”.

III. O Senhor Jesus e os Falsos Pastores

Nos dias em que andou por este mundo, o Senhor Jesus foi um ferrenho adversário dos falsos pastores. Jesus se opôs abertamente contra todos aqueles que, chamando-se pastores, se ocupam realmente somente consigo mesmos e abandonam o rebanho completamente. A situação do povo de Israel nos dias de Jesus não era nem um pouco diferente daquela que encontramos nos dias do profeta Ezequiel. O evangelista Mateus nos diz que: Vendo ele – Jesus - as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor – Mt.9:36.

IV. “Não Toqueis nos Meus Ungidos”

Uma das maneiras favoritas de se descreverem com seres superiores é, atribuir a si mesmos o pomposo título de “ungido do Senhor”.
Mas vamos considerar, por breves instantes, o mito de que a expressão não toqueis nos meus ungidos diz somente respeito aos pastores.

1. A expressão “ungido do Senhor” é bíblica e ocorre exatas oito vezes no texto hebraico do Antigo Testamento. Seis destas oito menções fazem referência ao rei Saul. Uma faz referência ao Rei Davi e uma diz respeito ao Ungido do Senhor (Jesus) como aguardado pelo profeta Jeremias. As menções aos reis Saul e Davi, deixam bem claro que os ungidos do Senhor não eram homens imunes nem a erros, nem a críticas e muito menos à disciplina por parte do Senhor.

2. A expressão “teu ungido” é também bíblica e ocorre seis vezes no texto hebraico do Antigo Testamento. Destas seis, uma diz respeito ao rei Davi e todas as outras ao Ungido como esperado pelo povo de Israel.

3. A expressão “meu ungido”, da mesma forma que as duas anteriores, é bíblica e ocorre duas vezes no texto hebraico do antigo testamento. As duas referências dizem respeito ao Messias ou Ungido como esperado pelo povo de Israel.

4. Por sua vez, a expressão “seu ungido”, ocorre onze vezes no texto hebraico do Antigo Testamento e uma única vez no texto grego do Novo Testamento. Estas onze referências estão assim distribuídas:
• Por 5 vezes fazem referência ao Ungido como o esperado Messias de Israel.
• Por 3 vezes fazem menção a Saul.
• Uma vez diz respeito à Eliabe, irmão de Davi.
• Por 2 vezes a citação é referente ao rei Davi.
• Uma única vez ao imperador dos Medos, Ciro.
Desta maneira fica fácil notar que quando não se refere ao Ungido que representa o Senhor Jesus, os textos falam de homens que foram tão pecadores como qualquer um de nós.

5. Por fim restam as duas referências que trazem de forma explícita a expressão não toqueis nos meus ungidos. Estas referências são:
I Cr.16:22 dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas. Sl.105:15 dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas.

Antes de analisarmos estes versículos é necessário dizer que os mesmos são idênticos. A interpretação de um servirá como interpretação para o outro também. A questão mais importante para nós, neste momento, é definir acerca de quem o salmista está falando? Quem são os ungidos do Senhor? O contexto deixa isto bem claro, e por ele nós podemos ter certeza absoluta quem são as pessoas a quem o Senhor se refere como sendo os “ungidos do Senhor” e de “meus profetas”. Sl.105:8/15 diz o seguinte:
8 Lembra-se perpetuamente da sua aliança, da palavra que empenhou para mil gerações;
9 a aliança que fez com Abraão e do juramento que fez a Isaque;
10 o qual confirmou a Jacó por decreto e a Israel por aliança perpétua,
11 dizendo: Dar-te-ei a terra de Canaã como quinhão da vossa herança.
12 Então, eram eles em pequeno número, pouquíssimos e forasteiros nela;
13 andavam de nação em nação, de um reino para outro reino.
14 A ninguém permitiu que os oprimisse; antes, por amor deles, repreendeu a reis,
15 dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas.

O texto é absolutamente cristalino. Aqueles que são chamados de “ungidos do Senhor” e de “meus profetas” são os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. São os Israelitas. Todos e cada um deles. Ninguém que pertença verdadeiramente ao povo de Israel é deixado de fora.
Portanto, como dissemos, o mito de que os pastores constituem-se em os “ungidos do Senhor”, como uma casta distinta e superior a todos os crentes, não passa realmente de uma invencionice perversa cujo único propósito é munir homens perversos com mecanismos que os possibilitem abusar de suas ovelhas. Precisamos retornar, de maneira urgente, ao padrão bíblico do pastor-servo à imitação do próprio Senhor Jesus.

V. O Ensino do Novo Testamento Acerca de Termos Sido Ungidos por Deus

O Novo Testamento ensina exatamente a mesma coisa que é ensinada no Antigo Testamento. Todos os que pertencem ao Povo de Deus foram ungidos pelo próprio Deus.
A expressão ungido também é usada para se referir a todos os crentes e indica que os mesmos são consagrados ou separados para o serviço de Deus pelo Espírito Santo. É por causa desta separação ou consagração, que somos chamados e considerados santos por Deus.
Mediante a isso concluimos que só existe uma unção, que todos os crentes receberam esta mesma unção e que Deus mesmo é aquele que nos unge.
Unção especial só existe uma: é aquela com Deus mesmo ungiu a todos os crentes, sem exceção!
Qualquer outra invencionice não passa de pretensão e orgulho humano querendo aparecer.

VI. Métodos e Normas que são Geralmente Utilizados por Pastores Abusadores.

Pastores que abusam dos seus rebanhos seguem, normalmente, uma série comum de métodos e normas, visando estabelecer seu poder, domínio e controle absoluto sobre o povo de Deus. Entres estes métodos e normas podemos destacar as seguintes como sendo as mais comuns:
1. Seus interesses pessoais estão, sempre, acima de quaisquer outros interesses.
2. Uma das características mais marcantes deste vale-tudo mencionado no item acima, é a tendência constante de usar e abusar de passagens bíblicas, dentre as quais a favorita é: Não toqueis nos meus ungidos.
3. Pastores que possuem uma visão distorcida de si mesmos, literalmente adoram ser exaltados e tratados com toda a honra, que, em suas mentes doentias, imaginam que o “ungido do Senhor” merece.
4. Não existe nenhuma diferença posicional entre os crentes. O que existe são funções diferentes. E a função daqueles encarregados de cuidar do rebanho de Deus é descrita como a de alguém que cuida de ovelhas (pastor); como de alguém que possui maturidade espiritual para ensinar, admoestar e exortar (presbítero) e como alguém que possui a função de supervisionar o rebanho de Deus (bispo). Como pode ser facilmente percebido as três palavras, pastor, presbítero e bispo, são meras descritoras das funções que precisam ser executadas e não fazem nenhuma referência a algum tipo de hierarquia que deva existir na Igreja dos Ungidos do Senhor! Os termos que o Novo Testamento usa de pastor, presbítero e bispo não descrevem ofícios e sim as funções que precisam ser desempenhadas por aqueles chamados para cuidar do povo de Deus.
5. Gostam de reprovar de forma pública e privada a todos que consideram desobedientes e insubmissos.
6. Associado à reprovação pública está o desprezo público ou o isolamento de certos membros. Principalmente aqueles que não contribuem.
7. Adoram subir nos púlpitos e disparar contra aqueles que consideram seus desafetos.
8. Ameaçam com de toda sorte de maldição, (se é que possivél a um pastor amaldiçoar) estes usam de arsenal de ameaças que vão desde o simples afastamento de algum cargo naquele ministério.
9. Outra característica bastante marcante entre este é a adoção de dois pesos e duas medidas como norma para o dia-a-dia.
10. Pastores abusivos gostam de ensinar suas ovelhas, ideias que possam causar falsos sentimentos de culpa.
11. Uma das formas mais medonhas de abuso espiritual é sustentar e manter a boa vida da classe sacerdotal ou dominante. Milhares e milhares de “formiguinhas” trabalham como escravos e contribuem para que um pequeno grupo tenha tudo do bom e do melhor.
12. Só recebem “amor” aqueles que se enquadram perfeitamente dentro da vontade do abusador.


Conclusão.
Creio que chegou a hora de praticarmos uma verdadeira defenestração, espiritual é claro, arrancando as máscaras dos pretensos “ungidos do Senhor”; virando as costas e dando adeus aos “faraós modernos” e abandonando por completo aqueles que se especializaram em, abusar de todos nós.
Precisamos, urgentemente, pedir que Deus suscite uma nova geração de pastores que possuam genuínos corações de servos. Corações que estejam realmente no servir o povo de Deus e não em serem servidos. E, por favor, vamos aprender de uma vez por todas, que igrejas e ministérios multimilionários, não servem realmente aos propósitos de Deus de levar o evangelho a todas as pessoas deste mundo.

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