sexta-feira, 30 de julho de 2010

Soldado ou guerrilheiro: Quem é você afinal?


Por Leonardo Gonçalves

O recente pronunciamento de Índio da Costa sobre o envolvimento do PT com as FARC, grupo terrorista colombiano, embora não seja nenhuma novidade, tem levantado o debate sobre a legitimidade da guerrilha da Colômbia. Antes de continuar, permita-me esclarecer que não defendo Sendero, nem FARC, nem Fidel Castro. Sou a favor da liberdade de consciência, e me oponho a tudo aquilo que restrinja meu direito de pensar. Lugar de terrorista é na cadeia, e quem se vale da ilegalidade do tráfico de drogas e armas não deveria ser chamado de soldado.

Agora, não pense que eu estou escrevendo isso para fazer uma defesa do Exército Brasileiro ou apenas para demonstrar minha discordância com a guerrilha colombiana ou com o PT. Eu apenas tomei emprestada essa analogia para exemplificar uma realidade comum ao cristianismo, pois cada dia que passa eu me dou conta que os guerrilheiros estão se apoderando do evangelho, enquanto está cada vez mais raro deparar-se com um verdadeiro soldado.

Mas qual é a diferença entre um soldado e um guerrilheiro? A linha que os divide parece um tanto tênue. Observe que os membros de uma guerrilha quase sempre têm uniformes, coturnos, armas e munição, rádios comunicadores e até se falam com jargões militares. Eles também possuem uma hierarquia, passam por um treinamento severo, tudo muito parecido com um exército “formal”. Apesar disso, não possuem a legitimidade de um verdadeiro exército. Por que razão? Ora, o motivo é simples: Os grupos guerrilheiros lutam por sua própria ideologia, por seus interesses comuns, enquanto soldados lutam pela pátria, estão sob comando da nação e a serviço do seu país. Deu para entender? Vou repetir a idéia: grupos guerrilheiros lutam por sua própria ideologia, por seus interesses comuns, por sua utopia particular, enquanto soldados lutam pela pátria. Captou?

Diante dessa confirmação, eu pergunto a você: Quais os interesses que movem os pastores, missionários e a liderança evangélica de modo geral? Por quem lutam? Seriam eles soldados ou guerrilheiros? Em um conflito de ideologias, qual força prevalece: a claridade das Escrituras ou a força de um estatuto? A palavra de Deus ou as palavras dos homens? O amor à Deus ou o apego à tradição denominacional? Por quem nossos líderes estão lutando?

Ainda lembro com tristeza das muitas vezes que tive que abster-me de gostos e gestos, de interesses e afinidades não porque a bíblia condenava minha conduta, mas porque o mesmo ia contra os famigerados “usos e costumes denominacionais”. Quantas vezes, na minha adolescência e juventude deixei de jogar bola, de freqüentar a piscina do clube, de tomar banho de cachoeira e outras diversões inocentes só para não ir contra as imposições do ministério? Transformaram-me em alguém que eu não era, violentaram a minha individualidade, e eu, simplesmente me deixei levar pela ideologia do grupo, pensando que ao final do treinamento me converteria em um bom soldado. Qual não foi a minha decepção quando descobri que haviam me transformado em um guerrilheiro!

Colegas pastores, ouçam por um momento este jovem que não tem direito sobre vocês, mas que os adverte e exorta com amor de um irmão: Por quem é que nós lutamos? Pelo reino de Deus ou pelos “reinos” dos homens? E se é pela glória de Deus, então alguém me diz, por favor, por que raios os imperativos deste reino não prevalecem nas discussões de Ministério ou nas mesas das Convenções? Porque é que nos recusamos a ensinar certos princípios bíblicos por reverencia a tradições retrógradas que muitas vezes estão em aberta oposição aos princípios do Reino? Será que já não lutamos pelo Reino? Já não defendemos nossa Pátria? Já não somos soldados dAquele Senhor?

Vejo em nossos dias homens e mulheres dispostos a morrer por um ministério, tatuando o rosto do seu apóstolo predileto nas costas, marchando (literalmente marchando!) alienados pelas idéias particulares de coronéis do evangelho, batendo continência para bispos, bispas, apóstolos e patriarcas cuja honra há muito se perdeu, e pergunto se não estamos rodeados por guerrilheiros, os quais andam muito preocupados com “seus evangelhos”, com “suas verdade”, com “seus reinos”, quando deveriam marchar como verdadeiros soldados aos quais somente importam as ordens do verdadeiro General.

Não quero dizer com isso que não se deve obedecer pastores, nem que seja um pecado honrá-los. O mandamento é bíblico, mas não existe nas Escrituras nenhuma razão que nos obrigue a honrar aqueles que negociaram o evangelho, mercadejaram a fé, se corromperam no poder e perderam a honra. Devemos obedecer àqueles que, orientados pela ideologia do Reino, nos guiam na batalha e demonstram fidelidade ao Deus que os comissionou. Quanto à geração de líderes caídos, vendidos e reprovados, valho-me das palavras de Pedro: “É mais importante obedecer a Deus do que aos homens”.

Há tempos venho observando essa guerrilha boba, e há muito já não cedo à suas ideologias e interesses. E como sempre acontece nas ditaduras comunistas, todos aqueles que ousam se opor ao status quo e lutar pela liberdade são taxados de rebeldes, são a “força inimiga”, os “traidores”. Assim, por uma grande ironia, no dia em que decidi lutar pelo meu Senhor aceitando o desafio de ser um autêntico soldado, meu antigo exército me perseguiu, me humilhou, me chamou de rebelde. Quando desejei com toda minha alma ser soldado, a “igreja” “evangélica” me transformou em um guerrilheiro subversivo. Que contradição!

Mas isso já não me importa, pois soldado que é soldado não teme enfrentar um grande exército. Prefiro ir à guerra com 300 valentes que amam à Deus do que lutar ao lado de 32 mil que buscam seus próprios interesses. Nem sempre a verdade está com a maioria, e tratando-se do evangelicismo brasileiro, está cada vez mais provado que a lógica não prevalece.

Mas e você, amigo leitor? Você é Soldado ou Guerrilheiro? De que lado você está?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

IGREJA CRISTÃ CARISMA









Diante do quem tem se tornado a Igreja Evangélica no Brasil; no que se tornou a mensagem pregada dentro destas igrejas. 


Mensagem estas com objetivos óbvios: Uma falsa obediência a Deus “liderança” em busca de uma subserviência a homens; Das metas estabelecidas de arrecadação; Das campanhas que são verdadeiras indulgências, condicionando as bênçãos de Deus à condição do ofertante; Das maldições hereditárias; Dos cultos de regressão espiritual; Dos chamados sacrifícios que violentam a obra salvífica de Cristo; Das parafernálias evangélicas e por aí vai... Tudo isto claro, com um único intuito patrocinar homens corruptos e seus desejos políticos escusos.

Como ministro do Evangelho de Cristo, como alguém abalizado nas Escrituras, como amante da Palavra e um Teólogo apaixonado. Comunico a todos através desta a criação da (Igreja Cristã Carisma - Minst. Pr. Rubens Bastos) uma igreja Autônoma e Independente. Uma igreja que busca o modelo bíblico de “igreja rebanho”. Uma igreja de reflexão social sem utopia e sem demagogia. Uma igreja discipuladora. Uma igreja moderada. Uma igreja transparente. Uma igreja que vive pela fé. Uma igreja pentecostal equilibrada.

Conforme o art. 5º Constituição Federal de 1988 e a Lei da Liberdade Religiosa - Assembléia da República Lei. Nº 16/2001.
Diante do exposto, comunico de maneira antecipada que a ICC não pratica ritos judaizantes, que não temos como parâmetro doutrinário o Velho Testamento.

Peço perdão aqueles que ainda não tem estrutura para entender tal decisão; e aos espertalhões de plantão antes de tudo até mesmo de qualquer acusação digo que tal decisão é uma direção divina e aqueles que quiserem me acusar de rebelião analisem bem a história de suas denominações e vejam que antes de se tornarem o que se tornou alguém em algum momento decidiu divergir e começar o seu próprio caminho. Pr. Rubens Bastos

"Toda decisão que você toma - toda decisão - não é uma decisão sobre o que você faz. É uma decisão sobre Quem Você É. Quando você vê isso, quando você entende isso, tudo muda. Você começa a ver a vida de um modo novo. Todos eventos, ocorrências, e situações se transformam em oportunidades para fazer o que você veio fazer aqui."
(Neale Donald Walsch)






sábado, 24 de julho de 2010

Igreja Universal e Mundial do Poder de Deus são seitas, diz o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil


Por Daniel Clós César

Essa semana li que o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, considerou a IURD e a IMPD, seitas, e necessário é, que pessoas oriundas dessas denominações sejam rebatizadas e façam profissão de fé. Louvável o posicionamento da IPB. Há muito tempo se espera, pelo menos das grandes denominações evangélicas do Brasil, a definição do que é, e do que não é, CRISTIANISMO. A Bíblia já define bem, mas é preciso ensinar nos púlpitos. O povo cristão tem sede de ensino e exposição bíblica, algo raro até nos mais "sinceros" púlpitos deste país.

Como podemos considerar pastor cristão, alguém que não prega o Evangelho da Cruz? Como podemos considerar cristianismo algo tão contrastante com os ensinos bíblicos? Podemos considerar cristianismo algo, pelo simples fato de "crer" na Bíblia ou fazer uso dela no rito?

As grandes corporações que pregam a teologia da prosperidade, que incluem promessas de riqueza, saúde, bons relacionamentos, cura interior, libertação de demônios etc... não pregam uma coisa: a Cruz. Não o principal, mas o ÚNICO meio para a Salvação do homem. Para nós que cremos no Evangelho, trilhar os caminhos da prosperidade humana a qualquer custo tem um único fim, o inferno, lugar que caiu em desprestígio nessas denominações, que publicamente não o negam, mas o expurgam das pregações para serem continuamente agradáveis a seus clientes.

Constantemente escuto a frase: lá é um pronto-socorro! Em outras épocas eu diria... ok! Pode ser... mas meu posicionamento hoje no entanto é outro. Primeiro eu pergunto: Por quê? Quem vai lá vai atrás de quê? Falta de dinheiro, saúde, casamento arruinado? É bastante provável que a resposta se encaixe nesses quesitos ou em outros bastantes semelhantes. Creio também, que a maioria dos verdadeiramente salvos também respondem algo bem parecido. Ai faço a segunda pergunta: Não são estes desesperados, os mesmos que já foram aos centros de umbana, "tiraram" cartas e consultaram os búzios e agora estão atrás de mais uma opinião? O impressionante é que muitos se encaixam aqui também. Chego então a uma última pergunta: Cristo: Salvador ou Solução? E a resposta é sempre a mesma: SOLUÇÃO. É aqui que diferenciamos os salvos dos não salvos.

Não buscam um salvador, buscam uma solução para satisfação de suas almas. Buscam desde um emprego a um carro novo... buscam da cura da filha soropositivo à aprovação em um concurso público... buscam de tudo... menos a Cristo... Como alguém assim pode ser considerado cristão? Como uma igreja que doutrina seus membros dessa forma pode ser cristã? Como pode alguém que odeia a cruz e não entende o seu significado ser declarado salvo? Basta "sinceridade" para alguém ser salvo?

Já é hora de pastores que pregam o verdadeiro Evangelho de Cristo condenarem esse ensino de demônios que prega de tudo, de psicologia barata à atitude positiva, mas nega o principal: a Palavra de Deus. Que distorcem a Palavra e deleitam-se em fábulas. Igrejas pastoreadas por lobos vorazes que cerram a porta dos céus impedindo que outros entrem, prometendo um céu na terra que nunca existirá.

Que este concílio da IPB possa ser um primeiro brado entre muitos outros contra as corporações da "salvação por obras", que rejeitam o sacrifício da cruz em troca de sacrifício financeiro. Que viram as costas à Cruz e voltam-se para o deus riqueza.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A Profissionalização do Clero




A profissionalização do clero e o processo de secularização e a conseqüente desvalorização das instituições religiosas afetaram diretamente a vida do pastor protestante, que sofreu uma perda de status na sociedade.

Por sua vez, o campo religioso brasileiro, particularmente nos últimos 25 anos do século XX, assistiu a irrupção de novos movimentos religiosos, aumentando a concorrência no interior desse campo. Surgiram, por exemplo, novos movimentos liderados por um novo tipo de pastor, que age conforme outros scripts e que, dentre as suas várias competências, tem a de dominar os modernos meios de comunicação de massa.

Todo esse cenário contribuiu para que uma sensação de crise, mal-estar e insegurança tomassem conta de boa parte do clero protestante, os vocacionados e/os comissionado.
Pastores que vendem uma falsa obediência a Deus em nome de uma subserviência a homens. Para que um pastor nomeado se torne consagrado, é necessário que ele se revele um bom arrecadador de dízimos e ofertas, O sucesso na carreira pastoral passa pela performance, isto é, pela capacidade que o pastor demonstra de captar recursos financeiros junto aos fiéis.

O pastor comissionado, por sua vez, tem uma perspectiva global do mercado religioso e lança mão de todas as jogadas de marketing para conquistar os vários setores desse mercado. Além disso, “assume, sem se envergonhar, que o ‘dinheiro é o sangue da Igreja’ e que numa ordem capitalista sem ele nada se faz”
Para tanto, ele precisa ser um bom ator, cujas qualidades teatrais são confirmadas mediante uma simples divisão do número de pessoas freqüentes no culto pela oferta arrecadada. já que essa aptidão, para a liderança, é um “sinal inequívoco de que seu ministério está ‘abençoado’ por Deus”
Cabe ressaltar que é este sistema que aí está o da Igreja/Empresa o que mais compreende no desenvolvimento de novas igrejas e ministério. Conseqüentemente, o pluralismo religioso não é apenas resultado, mas fator de secularização crescente. Um êxodo crescente de crentes migrando de um lado para outro.

“Nada mais anacrônico que o pastor numa sociedade rica e secularizada, porque a palavra que sai de sua boca é a palavra encomendada e paga pelo salário que recebe”.
Este sabe muito bem que no dia que sua palavra violentar a expectativa, os problemas surgirão. Reduzido a figura do pastor a de uma marionete/brinquedo. Cuja palavras são apenas ecos de outros pastores. Cão amordaçado.

Em cada período de mudanças sociais existem também transformações que afetam de maneira mais ou menos intensa, a ocupação de Pastor como a de Sacerdote. Sendo esta uma das conseqüências dessa desvalorização ou a perda de prestígio da ocupação pastoral, no campo religioso e no contexto organizacional.

À frente desses grupos estão, os novos tipos de líderes, portadores de um novo perfil de pastor, entre os quais é possível encontrar “o animador de auditório, o public relations, o pastor-cantor, o especialista em estratégias de marketing e de comunicação social, o telepastor.

No nível local ele administra os fiéis, o culto e todas as atividades de um templo, coordenando a equipe de pastores auxiliares e obreiros. Além dessas atividades ele deve atuar no palco-altar como ator, pregar, curar, atender pessoas no local de culto, estar à disposição do setor de publicidade da Igreja, administrar o templo, liderar o público durante o culto, distribuir os sacramentos, contar as ofertas, elaborar mapas de freqüência aos cultos, relatórios financeiros, assim como outras tarefas determinadas pelo ‘pastor regional’ ou bispo.

Para o pastor vocacionado o não profissional da fé é um desafio conviver com uma religião que se mistura com o entretenimento oferecido pela mídia. É o “culto-show”, o “culto espetáculo”, unido aos negócios e dirigido por pastores que se tornam verdadeiros especialistas em dominar grandes auditórios, como fazem os astros da música secular.

(O presente artigo é resultado de uma pesquisa realizada pela Igreja Presbiteriana do Brasil. sobre o estado atual da profissão de pastor).

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A Vaidade Evangélica




Rubinho Pirola


Convicção é uma coisa. Presunção é outra.

A convicção, nos faz seguros e com sábio temor diante de algo que recebemos. A presunção, porque lança o foco da nossa atenção a nós mesmos, nos torna vaidosos e estupidamente inconsequentes.

A segurança da convicção, geralmente, evita com que estejamos ansiosos ou defensivos, mas a vaidade dos presunçosos, que sequer aceitam discutir ou debater o que julga crer, orgulhosos, atrevidos e tenta-nos ao desprezo dos que pensam diferente.

Há uma vaidade evangélica que dá asco. Vê-se isso em todo o lado, como a que aparece nos partidários políticos sectários, em doutores que já não pensam em progredir, mas em exibir os louros todos, em gente que pensa não precisar de mais nada, de nenhum saber e põe-se acima dos outros.

O religioso é assim. Cheio de verdade e de si mesmo.

É aquilo de: Eu tenho a razão, ela está do meu lado. Ela não me tem. Eu detenho a sua patente. E deixamos correr frouxa a nossa vontade, assentada sobre preconceitos e vaidades de obras mortas, aquelas que pretensamente nos justificam ou que releva os nossos próprios erros.

É por isso que o vaidoso das revelações divinas está pronto a perseguir, a ferir e a matar os que lhe são divergentes. Jesus enfrentou-os e eles perseguiram-no até à cruz. Pedro demonstrou desprezo a um centurião romano porque era um gentio, que como tal, estava "do outro lado".

Não há gratidão ou louvor na boca de um assim, porque verdade alguma lhe foi revelada, antes, lhe foi descoberta, por si mesmo, por um cérebro que se acredita superior. Ninguém os alcançou, acreditam. Eles foram a Deus. Eles O escolheram. Eles resolveram crer. Eles tiveram o discernimento. Eles próprios se salvaram.

Não há a rendição ou a entrega, mas antes, a posse.

Deus fala por mim. Se eu não abro a boca, Ele, por si, não diz nada. Nem faz nada. Essa é a sua confissão de fé.

Se cremos mesmo num Evangelho que nos foi entregue (a boa notícia - a que fomos todos buscados, alcançados e perdoados pelo Supremo Pastor), então não há mérito nenhum em nós. Nem orgulho. Nem glória. Muito menos, vaidade. Só gratidão e... humilhação.

Ai, há somente lugar para uma fraterna cumplicidade e solidariedade, numa miséria que nos nivela a todos. E por baixo.

"(Os homens) aprendem sempre, mas nunca podem chegar ao conhecimento da verdade." II Tm 3:7

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Caio Fábio - Sobre dízimos e ofertas

Crentes decepcionados são os novos peregrinos da fé


O pastor Paulo Romeiro, da Igreja Cristã da Trindade, em São Paulo, identifica um novo tipo de cristão evangélico que, juntos, são os peregrinos da religião e constituem o movimento dos sem-igreja. Esse novo tipo de crente é o decepcionado.

"Trata-se de uma pessoa atraída à igreja com a promessa de ficar rica, ser curada e resolver todos os seus problemas. No entanto, depois de algum tempo, ela vê aquelas esperanças frustradas", definiu Romeiro em entrevista para o repórter Carlos Fernandes, da revista Eclésia.

Ao decepcionar-se numa igreja, o crente vai em busca de outra. Nas grandes cidades, detecta Romeiro, há um contingente significativo de evangélicos que circulam, constantemente, de igreja em igreja, constituindo o fenômeno que os sociólogos chamam de "trânsito religioso".

A tese de Romeiro está descrita em trabalho de doutorado em teologia. A tese foi transformada em livro e deverá ser lançado entre abril e maio sob o título Decepcionados com a graça - Esperanças e frustrações no Brasil neopentecostal, pela editora Mundo Cristão.

O "nômade da fé", descreveu Romeiro na entrevista à Eclésia, busca respostas imediatas aos problemas, "uma vez que vivemos na era da velocidade. Se as respostas não chegam rápido, o sujeito procura uma nova igreja".

E o que essas pessoas que são atraídas às igrejas neopentecostais buscam? Que fiquem ricas, sejam curadas de todo tipo de doença e que todos os seus problemas sejam resolvidos, desde a falta de dinheiro até a falta de emprego. Essas são promessas da teologia da prosperidade, que propõe banir a pobreza, a doença.

O problema não está na prosperidade, mas na teologia, assinalou Romeiro. Para a teologia da prosperidade, o crente "deve morar em mansão, ter carrões, muito dinheiro e nunca ficar doente. Quando isso não acontece, é porque ele está sem fé, em pecado ou debaixo do poder de Satanás", explicou o pastor da Igreja da Trindade.

Romeiro mudou a lógica no argumento: "Ora, se formos avaliar a vida espiritual de uma pessoa pela casa onde mora ou pelo saldo bancário, temos que concluir que muitos jogadores de futebol e artistas têm uma comunhão com Deus fora do comum. E isso não é verdade".

Hoje em dia, analisou o pastor, as pessoas na igreja funcionam na base da emoção, e não pela reflexão. A teologia da prosperidade e todo esse clima de emoção têm forte apoio na mídia, um instrumento que as igrejas neopentecostais sabem trabalhar muito bem.

"Creio que o fator principal que garante a sobrevivência do movimento neopentecostal é o seu investimento pesado na mídia e o seu sucesso em colocar a igreja no mercado e as políticas do mercado na igreja", avaliou Romeiro na entrevista à Eclésia.

Isso ainda vai durar algum tempo, representando crescimento dos principais grupos neopentecostais no Brasil. Mas não têm mais o mesmo ímpeto que tinha no passado.

Romeiro entende que, "na medida em que os adeptos vão se decepcionando com a mensagem e a falta de ética de alguns segmentos neopentecostais, creio que haverá uma volta à Bíblia por parte de muitos. Por isso, as igrejas cristãs devem estar preparadas para receber e ajudar tais pessoas", recomendou.

Na entrevista, Romeiro também questionou o fato de mais e mais pessoas se converterem e a situação da nação brasileira ficar cada vez pior, basta analisar os casos de violência, o tráfico de drogas, que estão "fora do controle das autoridades". Que Evangelho é esse que não afeta a sociedade para melhor nem transforma pecadores em santos? - pergunta.

O neopentecostalismo, definiu, é "vigoroso na sua ação evangelizadora, na capacidade de agrupar pessoas, mas frágil na sua ação disciplinadora".